segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quatro meses

Amanhã.

Quatro infinitos meses de uma infinita saudade.

Das fases do luto, penso, já passamos por várias. Até o mais crédulo dos crédulos passa pela fase do por que. Por que? Por que? Como assim não está mais aqui?

As fichas caem uma por dia, ou por hora, por minuto.

Sinto falta dela todo o tempo e sofro mais ainda ao escutar o choro de quem, como eu, ficou aqui...
... tentando entender.

Tem um buraco dentro do peito, na boca do estômago. Um vazio permanente, uma sensação de que fingimos que vamos dar conta.

Depois de tantos anos, aprendemos a ser família perfeita. Fomos companheiros, compartilhamos alegrias, vitórias, tristezas.

E ela estava sempre ali, enchendo a casa com sua presença.

Coleciono lembranças. Da infância ao dia 5 de dezembro do ano passado, lembro de todos os
momentos: de quando me ensinou pacientemente a escrever; de quando ficava cheia de manchas
de nervosismo quando aprendeu a dirigir, grávida da Nata; de quando me acompanhou na primeira endoscopia e riu de como fiquei chapada e comprei uma réstia de alho na porta do hospital; da gratidão e orgulho que sentia quando podia dividir com ela uma noite no hospital para cuidar do vovô ou da vovó; da euforia que ficava quando comprava presentes; dos vários churrascos apenas entre nós, na chácara.... e tantas, tantas, tantas lembranças.

Se ela me preparou para o dia que não estaria mais aqui, por que não acreditei que isso de fato poderia acontecer?


Mãe, o que faço agora com a sua falta?



2 comentários:

  1. Como diz meu pai, é uma saudade tão grande, composta e complexa que talvez deixe de ter esse nome.

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  2. Queridas Ciça, Nata e Nana,

    Toda vez que passo por aqui fico com vontade de escrever algo... nunca consigo.
    Muitas lembranças me invadem a cabeça, um nó na garganta e uma vontade imensa de estar com vocês.
    Simplesmente ficar abraçada em silêncio.
    Apesar de não falar ... estou sempre lembrando de vcs todos diariamente.

    Estou aqui, sempre.
    Amo vocês demais,

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